M&A NO SETOR DE TECNOLOGIA: DESAFIOS JURÍDICOS NA COMPRA DE STARTUPS

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O mercado de fusões e aquisições (M&A) no setor de tecnologia tem se mostrado um dos mais dinâmicos e desafiadores, especialmente quando envolve startups. Empresas estabelecidas frequentemente adquirem startups como estratégia de inovação, acesso à tecnologia proprietária e ampliação de mercado. No entanto, essas operações apresentam desafios jurídicos específicos que exigem uma abordagem especializada dos advogados envolvidos.

O primeiro desafio nessas operações é a realização da due diligence. Diferentemente de empresas tradicionais, startups frequentemente operam com estruturação societária simplificada e processos internos menos formalizados. Isso pode tornar a due diligence um processo complexo, pois muitas vezes há falta de documentação adequada e riscos latentes.

Os principais pontos de atenção incluem:

Propriedade Intelectual: A startup possui patentes, direitos autorais e marcas devidamente registrados? Há riscos de violação de direitos de terceiros?
Contratos e Clientes: Os contratos de clientes e fornecedores estão bem documentados e garantem continuidade dos negócios após a aquisição?
Compliance Regulatório: A startup está em conformidade com regulamentações como a LGPD e normas do setor de tecnologia?

O segundo desafio envolve questões trabalhistas e retenção de talentos. Startups são altamente dependentes de seus fundadores e equipe-chave. Muitos talentos estão vinculados à startup não apenas por remuneração, mas por visão e cultura organizacional. Um dos desafios jurídicos para compradores é garantir que esses profissionais permaneçam após a aquisição.

Para mitigar esse risco, algumas estratégias incluem:

Acordos de retenção e “earn-out”: Incentivos financeiros atrelados à permanência dos fundadores e principais executivos.
Revisão de contratos de trabalho: Avaliação de eventuais passivos trabalhistas e necessidade de reestruturação de cargos.
Programas de stock options: Manter programas de opções de ações pode ser fundamental para engajamento dos colaboradores.

O terceiro desafio envolve a questão da estruturação do negócio (Asset Deal vs Share Deal). No setor de tecnologia, a decisão entre compra de ativos (asset deal) ou compra de participação societária (share deal) tem impactos significativos.

Asset Deal: O comprador adquire apenas ativos específicos, como propriedade intelectual, contratos e tecnologia, reduzindo riscos relacionados a passivos ocultos.
Share Deal: A aquisição de participação societária permite assumir a empresa como um todo, mas pode implicar em herança de passivos trabalhistas e tributários.

O quarto desafio envolve os riscos regulatórios e concorrenciais. Dependendo do porte da aquisição, é necessário avaliar:

Aprovação pelo CADE: No Brasil, aquisições que impactam o mercado podem exigir avaliação do órgão antitruste.
Conformidade com a LGPD: Startups que lidam com grandes volumes de dados precisam estar em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados.

O quinto e último desafio é a questão da integração pós aquisição. A fase pós-M&A é crucial para o sucesso da operação. Questões como integração de sistemas, alinhamento cultural e harmonização contratual devem ser planejadas com antecedência.

A aquisição de startups no setor de tecnologia é uma estratégia valiosa, mas requer um olhar atento a desafios jurídicos específicos. Um planejamento jurídico eficiente e uma due diligence robusta são essenciais para mitigar riscos e garantir que a transação agregue valor ao comprador.

Nós, do Molina Advogados, oferecemos uma assessoria especializada no setor de tecnologia, a fim de compreender os desafios dos nossos clientes e desenvolver soluções criativas como um diferencial estratégico no mercado.

Continue nos acompanhando e fique por dentro das novidades sobre o tema.

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